Delegação de Frazão


Comunicado do Sr. Presidente da Delegação de Frazão da Cruz Vermelha Portuguesa

14-02-2013 12:26

Carta aos Voluntários da

Delegação de Frazão/Paços de Ferreira

da Cruz Vermelha Portuguesa

 

Caros Voluntários:

No dia 13 de Fevereiro de 2013, uma data carregada de uma má recordação pessoal, enviei através de carta registada ao Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, o meu pedido de demissão do cargo de Presidente da Direcção desta Delegação que espero ver aceite.

A razão de ter efectuado tal solicitação, prende-se com várias vertentes, entre as quais saliento, o de neste ano completar uma década desde que fui eleito pelos sócios do Núcleo de Frazão, Presidente da Direcção, o que somado aos meses em que participei na Direcção do Dr. José Eiras em 1994, ultrapassa os dez anos de voluntariado a que me comprometi comigo mesmo quando concorri. Não só, é um espaço temporal suficiente para liderar, mas também tanto quanto basta para que a entidade não fique aprisionada nem estagnada. Esta vontade de cumprir um compromisso tão longo nasce não só por ser o prazo em que me mantive noutras associações anteriormente, mas muito por verificar que antes da minha entrada ocorriam várias mudanças na Presidência, e dissensões quer nas Direcções quer no Corpo de Socorristas – basta ver que antes de mim, nenhum completou o mandato – que em nada contribuíam para a melhoria ou o bom nome da Instituição.

Considero e sempre lutei pela estabilidade dos corpos dirigentes e também pelo consenso na tomada de decisões de forma a prevalecer a harmonia na Direcções a que presidi!

Mas esta necessidade de consenso e harmonia, conjugada com o facto de este cargo exigir a tomada de decisões difíceis, massacra-nos emocionalmente ao longo dos anos; por isso já tinha crescido em mim, o desejo de me libertar deste (en)cargo; mas sempre que o pretendi fazer nestes últimos tempos, um acontecimento me impedia – pelo bem da Comunidade, da Cruz Vermelha e desta Delegação – de o concretizar:

- Como o foi na primavera de 2011 a convulsão causada aquando da necessidade de exonerar um Director que estava a realizar um bom trabalho na área de Formação e por quem nutria respeito e amizade.

- A descoberta e posterior dispensa desta Delegação, de um amigo, Chefe de equipa de Emergência por não gerir contabilisticamente a Delegação conforme os parâmetros éticos que exigíamos.

- A entrada em funcionamento do novo sistema, o famigerado SGTD que nos reduziu para metade as receitas provenientes do nosso maior cliente; e que depois de análise cuidada se constatou que em consequência, esta Delegação se tornou inviável financeiramente.

- A demissão de dois Directores que muito estimo e que solidariamente me acompanharam nos piores momentos desde 2003; acrescido pela falta de apoio da Sede Nacional para a resolução do problema financeiro em que se encontrava a Delegação.

- O desgaste emocional que os cortes e a manutenção da harmonia e eficácia da Delegação provocavam.

- A responsabilidade pelo recebimento por parte da Câmara das Escolas de Pias do compromisso de aí apoiarmos a população Pacense na área da emergência social.

- E o processo moroso e difícil (pela admissão de provas) da desvinculação do funcionário que possuía no seu disco externo pastas e ficheiros contendo dados exclusivos da Administração, Contabilidade e actos da Direcção; e que só foi concluído humanamente da melhor forma no inicio deste ano.

Os meus mandatos têm assim sido anos difíceis – o chamado período das vacas magras que terminou em recessão técnica e nos atolou nesta crise – que duma forma dura temos conseguido ultrapassar em união e espírito de equipa!

É esse valor que acho importante que não se perca; e tendo entrado quando esta Delegação precisava de mim, também sei e saio quando entendo ser o melhor; neste caso para elevar o espírito e dar um novo élan para a concórdia e união.

Espero assim criar o exemplo de desapego ao poder tão necessário na direcção de Entidades públicas e/ou sem fins lucrativos. Demonstrando que este lugar não traz benesses importantes (bem…apenas um melhor tarifário, usufruto das piscinas e felizmente, animados convívios); não abre portas dúbias nem dinamiza a actividade profissional (pelo contrário retira-lhe tempo e concentração) – aliás as melhores testemunhas da ética que possuo, são os funcionários que tiveram que sair e que apesar de um bom conhecimento da nossa gestão (um, por modos incorrectos no seu disco externo) nunca fizeram qualquer acusação ou mesmo insinuação sobre a minha honestidade e/ou mau comportamento na gestão da Delegação!

Mas estas batalhas que nos assolaram no último par de anos, em simultâneo com a minha vontade de frequentar para valorização pessoal, um curso de pós graduação e a crise que causou estragos profundos na minha área profissional e na rádio, deixou-me exaurido e sem força anímica para ultrapassar as incompreensões daqueles que nomeei e muito estimo.

Olhando para trás, vejo que as questiúnculas e picardias apenas foram a espuma da onda do que mais importante foi conseguido; o apoio contínuo à população quer no socorro quer na emergência social, e a viabilidade financeira desta Delegação! Para este último desiderato muito contribuíram, os cortes que todos aceitaram fazer, a dispensa de mais um funcionário, o transporte de alunos deficientes, e o empenho dos voluntários nas várias campanhas de angariação de fundos. E para não descurar a eficácia desta Delegação, porfiamos e conseguimos aprovar no âmbito do programa de estágios do Centro de Emprego, contratos para dois voluntários que reforçam as equipas presentes em Pias e nas instalações principais; uma medida que nos permite equilibrar as contas e ainda manter os níveis de qualidade no Socorro e Emergência Social.

Sinto também alegria, quando vejo que os passos para abrir as nossas instalações à sociedade civil começam a dar frutos, permitindo no futuro tornarmo-nos um centro de serviços de apoio à comunidade.

E com agrado, verifiquei a possibilidade de cativar as verbas necessárias para a aquisição de uma nova ambulância de socorro, tendo aprovado a sua compra na última reunião da Direcção; sendo que a aquisição de outra ambulância de transporte não está colocada de parte, ficando no entanto dependente da realização de bons negócios na aquisição dos veículos, uma boa conclusão do recurso apresentado no caso da ambulância sinistrada, e a obtenção de um financiamento leve para compra e transformação dos veículos – se não se cometerem loucuras na gestão ou surgir uma infelicidade que obrigue a gastos incomportáveis, continuará assegurada a viabilidade financeira da Delegação!

E embora não esteja terminado o trabalho (mas algum dia estará?), chegamos a um momento em que ambos necessitamos de evoluir; como diz a canção “Se amas alguém, liberta-o”! Eu para tratar de outras preocupações, nomeadamente a minha vida familiar e profissional que me têm atormentado e me impedem de me dedicar como anteriormente a 100% a esta Delegação. E a Delegação para injectar sangue novo e uma nova liderança para que possa imprimir novamente um forte espírito anímico, necessário à manutenção de um bom rumo.

É com esse espírito que quando questionei os restantes Directores de quem gostariam de ver como Presidente Interino, escolheram o Dr. Pedro Ferreira que aceitou de pronto, um jovem advogado que conseguiu uma brilhante vitória no caso da ambulância e é um dos novos Socorristas. Este é um sinal claro que a nova equipa directiva envia aos Voluntários, de apreço e sintonia!

Parto assim dividido, por um lado uma forte sensação de alívio por terminar o vínculo com esta Cruz; mas por outro, com tristeza e melancolia por deixar de colaborar com pessoas por quem ganhei carinho e considero hoje amigos verdadeiros; e com outras de que apenas existindo entre nós apenas um vínculo de profissionalismo aprendi a respeitar e admirar pelo seu trabalho sério e valoroso durante o tempo em que presidi a esta Delegação (de outras que não nomeio não sobrará, felizmente necessidade de as preservar na memória!).

A todos, quero agradecer o trabalho, os sacrifícios e as desilusões que aguentaram para darem o seu apoio à população ao longo destes anos em que com muita honra consegui ser o vosso presidente; porque não só contribuíram para salvar e melhorar a qualidade de vida daqueles que apoiamos; mas também para a manutenção desta Delegação e para o bom nome da Cruz Vermelha!

Espero que todos compreendam a dificuldade de gerir esta Entidade e de que ainda não estão consolidadas as estruturas para que se possam dispensar sacrifícios e austeridade, para o bem da Cruz Vermelha e do trabalho em prol da nossa Comunidade, ajudem a Direcção!

BEM HAJAM

Arq. Firmino Meireles

—————

Voltar